quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Seria o graffiti uma arte ainda marginalizada?

       Mais recentemente, no ano de 2010, foi elaborado e confeccionado um grande painel grafitado no bairro da Lapa, que agregou os principais nomes da cena do graffiti carioca. Esta produção parece bastante significativa para elucidar a diluição subversiva dos grafiteiros e suas ações na cidade. Patrocinado e apoiado por empresas privadas (Antártica) e a própria prefeitura do Rio de Janeiro, o painel tem mais de 10 metros de altura, e mesmo estando posicionado em espaço público, possui iluminação própria, placa em reconhecimento dos artistas e até uma cabine do “famoso” choque de ordem em frente, como medida de segurança. Segurança é um termo bastante ambíguo, a medida que o graffiti não representa mais o perigo nem o vandalismo, e deve ser, portanto, protegido de possíveis atos de vandalismo e depredação. Nesse sentido, a cabine do “Choque de ordem” postada a frente do painel grafitado parece sugerir uma proposta de institucionalização deste junto à prefeitura do Rio de Janeiro. Todos esses elementos em torno do graffiti são extremamente contraditórios à sua própria identificação jurídica, taxado como ação criminal. Ora, o que tudo isso sugere?



Seria este painel fruto de uma reivindicação e uma conquista coletiva dos grafiteiros em torno da sua livre expressão no espaço urbano ou apenas mais uma ação de marketing da prefeitura da cidade?

Da Tijuca ao Andaraí

A rua Barão de mesquita é uma importante via de circulação localizada na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente entre os bairros da Tijuca, Andaraí e Grajaú. Ao longo deste percurso há uma infinidade de estabelecimentos comerciais (bares, restaurantes, drogarias, supermercados etc.) e de serviços diversos (escolas, academias, casas de festas, estacionamentos, pet shops), além de centros culturais e recreativos, o que amplia enormemente o fluxo diário de pessoas por este eixo. Além disso, esta rua é parte da rota diária de uma quantidade razoável de linhas de ônibus. É aqui, portanto, que estão dispostos estes graffitis que fiz entre os meses de outubro e novembro de 2010. A escolha desta localidade para a confecção dessas pinturas está ligada aos fatores descritos anteriormente, o que permite uma visibilidade maior do meu trabalho. Residir próximo acabou sendo outro fator preponderante na escolha destes locais.  Abaixo segue um mapeamento dos pontos que grafitei ao longo da Rua Barão de Mesquita, da Tijuca ao Andaraí.



As numerações indicam os pontos grafitados:
1- Esquina da Av. maracanã com Rua Barão de Mesquita

2- barão de Mesquita em frente ao quartel da PE 

3- Pátio da escola Municipal Afonso Pena

4- Próximo à Rua Uruguai

5- Próximo à Rua Maxuell


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O lagarto e seu território



Mais um lagarto no Rio Comprido (Av. Paulo de Frontin)...

Surge a Alquimia Crew




Esta produção, localizada na rua Canavieiras no Grajaú, marca o início da Alquimia crew, uma parceria minha com o grafiteiro Binho.

Mural Coletivo no Andaraí



O painel acima foi feito em uma madrugada do mes de agosto, começando por volta de 11: 30 hs, e terminando por volta das 3 hs da madruga... Localizado na confluencia da rua Barão de mesquita com av. Maxuel, proximo ao condomínio Tijolinho, esta produção é resultado de uma ação coletiva. Curiosamente sem nenhum planejamento prévio.
O que eu acho mais interessante é a mistura de estilos dos grafiteiros que pintaram comigo, passando do cartoon para as letras em estilo hip-hop, e chegando ao realismo. Pintar na madrugada é bem tranquilo por mais suspeito que isso possa parecer, vimos viaturas da policia circulando, assim como eles certamnte nos viram, e não houve sequer uma abordagem. Dos pedestres que passavam havia sempre uma receptividade muito boa.  
Abaixo está o restante do painel que ficou faltando na imagem acima.




quinta-feira, 3 de junho de 2010

A garota de Ipanema


É interessante notar como cada artista faz a sua própria representação de mundo ou dos personagens que o compõe. Nesse caso pense no quadro "Guernica" de Picasso, como alusão à guerra civil espanhola, ou a "Santa Ceia" de Miguelangelo, entre tantos outros. O artista tem total liberdade de recriar em sua obra a atmosfera que permeia o momento retratado, ou mesmo faz uma crítica utilizando sua tecnica e sensibilidade. Acima temos uma representação um tanto grotesca e bastante sarcástica de uma  imagem eternizada pela Bossa Nova ... O graffiti tem a autoria de ACME e foi feito nas imediações justamente da praia do Arpoador. No entanto este registro não é mais possivel de ser visto. Outros graffitis já foram feitos sobre esta interessante crítica a banlização do corpo feminino como objeto de exportação da própria cidade do Rio de Janeiro. Valeu ACME!     

Os caminhos de ECO - Final

Para finalizar propomos mapear o percurso feito na busca pelas marcas do grafiteiro ECO registradas no bairro da Tijuca, o mapeamento foi feito a partir de algumas das principais vias de acesso desse bairro.

 
 O mapa acima refere-se ao caminho feito por mim municiado de uma bicicleta e uma pequena camera digital, em busca dos registros de ECO, os quais fotografei e postei neste blog ... Portanto a linha vermelha segue o fluxo das ruas Conde de Bonfim e depois Hadock Lobo em direção ao centro da cidade. Já a linha azul significa o ponto de retorno, a partir da praça do Estácio, percorrendo as ruas João Paulo I,  Dr. Satamini e Heitor Beltrão em direção a Tijuca novamente. Em todas estas vias é notória e significativa a presença dos graffitis de ECO.
 É importante ressaltar que se fizessemos este percurso novamente seria necessário uma atualização das imagens, pois o grafiteiro neste curto período tem realizado uma série de novas intervenções nestas localidades.

Obs: Para visualizar melhor clique sobre o mapa.